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PROTEÇÃO CONTRA A CHUVA Para garantir tranqüilidade, segurança ou evitar prejuízos, prevenção deve começar cedo

Publicação: 21/11/2006 11:12 Atualização:

Janine Diniz

O tempo das chuvas está chegando e quase sempre casas, apartamentos e seus moradores não estão preparados para dias e dias de temporal, como aqueles que costumam cair em janeiro. Quem quer garantir tranqüilidade, segurança ou simplesmente evitar prejuízos, precisa se prevenir. Há medidas simples, como verificar a condição dos telhados, trocando telhas quebradas e limpando rufos e calhas. Ou desobstruindo o caminho das águas pelo chão, limpando ralos, bueiros, colocando telas de proteção e tirando o lixo dos quintais. Quando o assunto é infiltração, entretanto, a solução requer trabalho especializado. O ideal é impermeabilizar as áreas que ficarão em contato com a água desde a construção da casa. Mas se a infiltração já está instalada com o morador ocupando o imóvel, algumas soluções podem ser adotadas com sucesso, caso implementadas por empresas e profissionais preparados para isso. O arquiteto George Washington de Almeida trabalha há 45 anos pesquisando e desenvolvendo tecnologias de impermeabilização. Para ele, a principal causa da infiltração são construções feitas de maneira inadequada. Entretanto, o que a maior parte das pessoas ainda não têm o hábito de fazer é proteger as estruturas com substâncias impermeabilizantes, que garantem mais segurança à construção. Muitos ainda consideram que impermeabilizar não resolve, ou funciona por pouco tempo. A impermeabilização deve fazer parte do projeto arquitetônico. Os impermeabilizantes não funcionam quando não são de boa qualidade ou aplicados por quem não entende do assunto. É preciso que as empresas contem com um engenheiro responsável pela avaliação dos projetos e sejam registradas no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-MG), afirma. A Faber Tecnologia, empresa da família de George, tem laboratório próprio, onde faz testes e desenvolve produtos, e ainda tem o apoio do laboratório de polímeros do Instituto Nacional de Tecnologia, situado no Rio de Janeiro.

EFICÁCIA

George esclarece que, para a eficácia da aplicação dos produtos, é preciso uma avaliação prévia das condições do local, para saber qual solução e produto empregar. Geralmente, é necessário retirar o revestimento para aplicar o impermeabilizante. Os produtos que são feitos para aplicação por cima não solucionam. Eles são atacados pela ação de Sol e chuva e, por isso, duram pouco tempo. As soluções que proponho são para durar anos, garante. A equipe de George trabalha com emulsões impermeáveis, que têm capacidade de dilatação de até 300 vezes seu tamanho original. Portanto, acompanham bem a dilatação das estruturas de concreto e voltam ao tamanho original quando as estruturas se contraem. Se a casa está em construção, é recomendado aplicar a substância antes dos revestimentos. Quem acompanha os projetos é o engenheiro Alexandre Moura Rodrigues, da Eggecon Engenharia. Ele está fazendo a impermeabilização de uma casa do Condomínio das Árvores, no Alphaville. Aplicamos os produtos nas lajes de cobertura, na calha de concreto e na piscina. Se fosse o caso de uma obra com o morador já dentro da casa, entregaríamos o serviço completo, desde a demolição do piso a ser removido para a impermeabilização até a finalização da obra com o revestimento escolhido pelo cliente, afirma.

PROBLEMAS MAIS COMUNS

Irineu Ramos de Queiroz, dono da Impercasa Comércio de Materiais de Construção, atua há 45 anos no ramo da impermeabilização. Ele usa manta asfáltica para áreas que estarão descobertas ou expostas ao calor e argamassa polimérica para áreas frias, que não tomam Sol. Terraços que provocam infiltrações dentro das casas são os campeões de queixas, mas dois problemas muito comuns entre os clientes de Irineu são as infiltrações na base da parede, próximas ao chão e aquelas atrás de armários embutidos. A umidade na base da parede vem do chão, quando sobe o lençol dágua. A solução, segundo Irineu, é drenar a área no entorno, retirar o reboco e fazer uma aplicação especial de argamassa polímera, em três demãos. Para o mofo atrás do armário é usada a mesma argamassa. Raspa-se a parede e aplica-se o produto. Para as lajes, a argamassa não é adequada, pois não suporta dilatações. Nesses casos, o ideal é a manta asfáltica, mas é preciso ficar atento à qualidade do produto. As caixas dágua de alvenaria, enterradas ou no alto de edifícios, também precisam de impermeabilização.

TERRAÇOS

Para os terraços com infiltração, Irineu recomenda primeiro arrancar o piso. Aplica-se a manta asfáltica. Após 72 horas de teste com água, aplica-se uma proteção mecânica. Em seguida, um contrapiso e, finalmente, a argamassa e o piso. O arquiteto Rodrigo Torres, da Aro Arquitetos, recomenda àqueles que têm terraço com infiltração, que coloquem como acabamento final, depois do produto impermeabilizante, um revestimento de grama ou um espelho dágua, que pode ser uma piscina. Manter a temperatura da laje é o segredo para diminuir a dilatação e, com isso, garantir a impermeabilização. O gramado e a água da piscina refrescam o ambiente, e estando o piso corretamente impermeabilizado, não haverá risco de infiltração, orienta.

SAIBA MAIS

PREPARE SUA CASA
* Faça uma revisão no telhado. Verifique se há telhas quebradas ou fora do lugar. Substitua as telhas quebradas, limpe as calhas e os rufos.
* Colocar tela sobre as calhas rasas ajuda a evitar o transbordamento se houver chuva de granizo.
* Impermeabilize lajes de cobertura.
* Para casas ou apartamentos no andar térreo: verifique se há infiltração vinda do solo. É recomendável fazer drenagem ou captação de água por fora da casa, rente às paredes e depois fazer a impermeabilização.
* Limpe os ralos.
* Vede portas e janelas com material próprio, encontrado em várias cores em casas de material de construção.
* Na hora de construir, a casa deve ficar sempre acima dos terrenos do entorno, para evitar inundações e enxurradas.
* Se há muros de arrimo ou barrancos próximos à casa, construa um sistema de drenagem para que a água não se acumule neles. Muros de divisa e muros de arrimo sem drenagem adequada podem desabar. Verificar se o muro no limite do seu lote não está represando a água da chuva.
* Fique atento para os sinais de risco de deslizamentos de árvores, postes e muros inclinados; trincas no chão e nas casas,
barrancos e muros com barrigas. Providencie a poda de galhos em situação de risco potencial. Caso haja dúvida, solicite a inspeção de um engenheiro.
* Após a inundação, lave imediatamente as áreas atingidas, evitando o contato direto com a água e a lama da inundação. Use luvas e bota. Para limpar, coloque 1 litro de água sanitária para cada 20 litros de água.
* O contato com a água ou a lama da inundação pode provocar doenças como leptospirose, cólera, infecções e doenças de pele.
* Verificar os revestimentos de fachada para evitar infiltrações e descolamento dos materiais de revestimento.
* Verificar se o sistema de coleta e escoamento da água da chuva está desobstruído e funcionando bem.
* Não coloque sacos de lixo ou entulho na rua em dias de chuva, prevenindo o entupimento de bueiros, galerias e córregos.
* Colocar grades sobre as entradas do sistema de escoamento da água para evitar que folhas ou lixo sejam levados para o interior da tubulação, causando seu entupimento. A grade também evitará que ratos entrem pela tubulação.
* Nunca ligar a canalização de coleta da água da chuva com o sistema de coleta de esgoto sanitário. Isso pode causar refluxo para dentro da própria casa ou da dos vizinhos. Isso vale para a fossa séptica também.
* Se notar que a boca de lobo da rua está obstruída, comunicar o fato à prefeitura.
* Valetas, córregos e rios não podem ser usados como depósito de lixo. Não jogar lixo nem restos de podas de plantas nos fundos de vale e denuncie quem faz isso.
* Em épocas de chuvas fortes ou prolongadas, insetos e roedores tendem a procurar abrigo dentro das casas. Cuidado com aranhas marrons e ratos.
* Os moradores das áreas muito inclinadas, onde existem barrancos, devem tomar as medidas necessárias para evitar deslizamento de terra, que pode causar o desabamento das construções.
* Cobrir com uma lona a terra exposta em taludes instáveis ou em cortes de regularização de terreno. Faça canaletas de drenagem para evitar a erosão do solo e plante grama.
* Verificar se materiais como areia, brita e saibro têm uma contenção que resista a enxurradas.
* Manter limpo e desimpedido o caminho das águas.

Fonte: www.defesacivil.joinville.sc.gov.br/estudante.htm
www.curitiba.pr.gov.br/pmc/agencia

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